sexta-feira, 24 de junho de 2011


Na noite de S. João
Dançavas com muito jeito,
Não me davas o coração
Mas encostavas o teu peito.

Neste tormento europeu
Olhei para ti S. João,
Apontaste o dedo para o céu
Lá para os lados do Dragão.





Das pedras de Miragaia


Saem casos de encantar,


Dançava-se preso à saia


Na esperança de namorar.




Neste tempo de tristeza


Deixa-me desabafar S. João,


Pão e vinho sobre a mesa


É o que pede meu coração.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010



O Outono do nosso descontentamento aí está. Aparece embelezado pela cor das folhas como se um pintor pacientemente as retocasse, mas o sol anda meio envergonhado e não aparece igual para todos os portugueses. A tristeza invade os corações, os olhares são distantes e a crise, essa maldita, não os larga. Não sei o que esperam de tantas cabeças pensantes. Aí não há crise. Abundam os comentários, as criticas, as análises, as entrevistas, enfim um mar de abundância. Mas os portugueses já não lêem, já não ouvem, só murmuram. Esta Raça não merecia ser tão castigada. Ao menos este Sol de Outono podia aquecer a alma dos que mais sofrem, para esbater a revolta que trazem na alma.

domingo, 19 de setembro de 2010

Está a terminar o Verão. Já não escrevia desde a Primavera. Mudou muito este país ? Só o clima, agora o tempo está mais quente. A crise ? A crise já existia em Março, já existiu em vários séculos e continuará o seu caminho até ao infinito. Uma boa oportunidade para os anafados combaterem as suas gorduras. Com crise ficam mais secos. Mas da crise sabem os políticos. É vê-los a debitar uma linguagem das tretas, cheia de adornos mas pouco iluminada. Os "senhorões" da politica combatem a crise gerando crises, de emprego, de dividas, de doenças, de abandonos. Restam os militares que precisam da pátria para sobreviver. Até o futebol, menina dos olhos de ouro dos portugueses está em crise, sim porque o Benfica representa a crise do futebol. Foi das crises que se fez história, movimentou povos, desenvolveu novos impérios. O que pensarão estes dez milhões? Valerá a pena insistir na crise ou negociar com uma dessas imobiliárias o nosso futuro?

segunda-feira, 1 de março de 2010

Um temporal em Alvalade
É inacreditável como o Porto abordou o jogo de hoje. Apáticos, desconcentrados, sem rigor táctico. Estava em causa a defesa do título numa altura que só a vitória nos poderia manter na corrida ao título. Onde estava o Porto? Alguém o viu? Onde está a regularidade da equipa? Segundo o treinador foi um jogo menos conseguido, mas convenhamos que foi fatal para as nossas aspirações. A equipa oscilou muito esta época entre o bom e o mau. Todos recordamos os jogos com o Belenenses, o Paços de Ferreira em casa e o jogo no Funchal com o Marítimo. Todos se lembram de jogos onde não estivemos à altura do nosso estatuto como foram os jogos em Braga e na Luz. O que resta? Boas exibições contra o Atlético de Madrid, o Guimarães e o Nacional fora, e contra o Sporting (na Taça) e o Braga em casa. É pouco para uma equipa candidata ao título. Estão cansados de ganhar? Não pode ser porque há muitos jogadores novos na equipa. O treinador não teve tempo para moldar a equipa? Então e os treinadores do Benfica e do Braga tiveram? Mais grave ainda é que corremos o risco de não participar na Champion League. Tudo tem de ser repensado. Quatro anos de vitórias não podem ser indiferentes. Se outros nos ultrapassaram temos de saber as causas para podermos ser melhores no imediato. Este clube não sabe viver sem vitórias. Os responsáveis que se assumam e se for preciso rolar cabeças que assim seja. Viva o Futebol Clube do Porto.



José Carvalho Ventura
Sócio nº 549

sábado, 19 de dezembro de 2009

Natal


Aproxima-se a data mágica. No meio deste turbilhão de má noticias para os portugueses ainda resta uma força de esperança para aqueles que acreditam na viabiliadade deste País. E nada como o Natal para confortar a alma, relembrar os que partiram, recordar as longas noites da nossa infância, renovar a fé. Tudo se repete mas é sempre tudo diferente. O Porto está mais triste. Também a luminosidade acompanha o humor dos portuenses, preocupados com o futuro da sua região. Li hoje que a cidade "tem a memória de que teve de se fazer por si, com poucos apoios externos". Bem haja o Natal.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Linha do Douro




Finalmente uma boa noticia neste país triste e deprimido pela crise financeira, pela gripe e pela politica. Foi anunciado hoje a recuperação da linha do Douro entre o Pocinho e Barca D'Alva. Era uma dor de alma ver aquela a linha ao abandono como se o património fosse um contentor de lixo. Esperemos que não fique pelas intenções. Depois do Túnel do Marão, da auto-estrada Amarante-Vila Real, da melhoria do IP2 e da criação do IC2, podemos dizer que começa a brilhar o sol para os transmontanos. Assim os politicos o queiram.

sexta-feira, 19 de junho de 2009



Este monumento, do professor Lagoa Henriques, inaugurado a 27 de Agosto de 1960, no Largo António Cálem, conhecido pelo povo como o “monumento aos Tripeiros” consagra os marítimos, carpinteiros navais, calafates e outros obreiros portuenses que construíram, proveram e tripularam a frota que comandada pelo Infante D. Henrique, partiu do Porto, em 1415, para a conquista de Ceuta. Mas o tempo corrói a memória e hoje este monumento poderá ter outro simbolismo como demonstram as fotografias que enviamos. É a decadência dos Tripeiros, com a corda ao pescoço do carpinteiro empunhando a enxó e os sacos de lixo que se alojam junto ao muro posterior ao monumento. Que melhor quadro para traduzir o momento actual dos Tripeiros e da sua cidade, uma cidade velha nos rostos e nas paredes, sem alma, sem reacção, que já não luta, que não sai do seu marasmo, que perde população dia a dia, que fecha portas continuadamente, que não se galvaniza, que não se apodera de ideias novas, que não se lança para o futuro, que vê muitos dos seus filhos crescerem sob o manto da marginalidade, que não motiva a sua população para a cultura. È a degola dos Tripeiros.
José Carvalho Ventura