sábado, 26 de janeiro de 2013

AS ESCADAS DA VERDADE

Trinta e quatro anos de trabalho, sem horas, sem vida familiar, sempre com a camisola da empresa á frente. Dois dias de faltas nesse tempo todo. Chegou o dia de regressar a casa. Uma sensação de alivio e a certeza de ter cumprido a minha missão. Era altura de virar a página, dedicar-me a outros temas. Tudo parecia correr como imaginara. Mas eis que a escória da politica, em nome do interesse nacional, surge brutal e impiedosa, não olhando a meios para desbastar o que de bom existia , destruindo emprego, lares, pessoas, deixando um rasto de miséria e sofrimento. Jamais fui assaltado com esta violência.
Os portugueses não mereciam esta traição. A divida soberana não foi inventada pelo povo nem nasceu da sua vontade. Esta divida foi o alimento de uma reles classe politica que desbaratou os fundos de que dispôs, que destruiu as fontes de riqueza do povo, que avançou com projectos megalómanos sem qualquer mais valia para o bem estar da população.
Roubaram-me anos de ilusão, obrigaram-me a rebobinar o filme da minha vida e regressar á minha meninice quando a vida era muito difícil e eu criança nada podia acrescentar.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Trinta anos de presidência

Não sou um adepto que frequente elites ou passarelas, misturo-me na massa anónima que de semana a semana vibra com os feitos do seu clube, irrita-se quando a bola não entra, emociona-se com as vitórias, que olha para o lado e vê a alegria que vai na alma daquelas gentes quando os títulos brotam como flores, que o amor ao azul e branco é, muitas vezes, o único bem que lhes alimenta a alma. Esta é a mais longa paixão da minha vida. Desde o ano 49 do século passado que não conheço outra cor. Sedimentei esta ligação nas derrotas, nas humilhações, na pequenez dos nossos horizontes. A minha maior aspiração em criança era o novo estádio do FCP, assim se escrevia no jornal "O Porto" de 18.04.1950. Nessa inauguração saltaram-me as lágrimas porque fomos goleados pelo nosso adversário. Mas valeu a pena esta longa travessia do deserto.
Depois o Clube rompeu muros, abriram-se mentalidades, rasgaram-se fronteiras. Tudo com um denominador comum - Pinto da Costa. Para uma cidade fechada, estagnada por forças que lhe eram hostis, o aparecimento deste dirigente  foi uma lufada de ar fresco, um exemplo de dedicação, competência e ambição a que os portugueses não ficaram indiferentes, nem mesmo os seus detratores.
Uma pergunta ocorre insistentemente. e o futuro? As bases estão consolidadas, o Clube é hoje uma instituição respeitada e admirada em muitos cantos do Mundo. É um ícone da cidade do Porto. Não podemos perder este capital. Oxalá daqui a uma dezena de anos possamos festejar os 40 anos de presidência.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Por onde andam os deputados do Norte?

As noticias saem em catadupa. O abandono da linha férrea entre o Pocinho e Barca D'Alva. O fim da linha do Tua. As sucessivas interrupções da construção do túnel do Marão. O marasmo da linha férrea Porto-Vigo. O isolamento do porto de Leixões face ao plano ferroviário anunciado. O vangardismo do norte no pagamento de portagens nas SCUT. O vazio na Administração do Metro do Porto e ausência de planos para a sua expansão. E o que mais virá. Entretanto o Norte, com o JN anunciou, ocupa pelas piores razões o ranking das desgraças. O maior empobrecimento nos últimos 15 anos, salários no fundo da tabela, elevada taxa de desemprego. A desertificação do interior norte vai-se gradualmente estender á faixa litoral. Perante este panorama, ocorre-me perguntar por onde andam os deputados que foram eleitos pelo Norte? Andam por aí, nada de novo. E os autarcas do Norte? Reações tardias e com pouca firmeza. E a Comissão Coordenadora da Região Norte? A sua voz não se ouve. Concluímos pois que no Norte não há vozes corajosas que se façam ouvir na capital do ex-Império, problema agravado com o ruído da crise. No início, D. Afonso Henriques, ainda o conceito de pátria estava distante, era ouvido e fazia-se ouvir. E foi assim que conquistou Lisboa.
(Texto publicado na página do leitor no diário JN de 7 de Outubro de 2011)

sexta-feira, 24 de junho de 2011


Na noite de S. João
Dançavas com muito jeito,
Não me davas o coração
Mas encostavas o teu peito.

Neste tormento europeu
Olhei para ti S. João,
Apontaste o dedo para o céu
Lá para os lados do Dragão.





Das pedras de Miragaia


Saem casos de encantar,


Dançava-se preso à saia


Na esperança de namorar.




Neste tempo de tristeza


Deixa-me desabafar S. João,


Pão e vinho sobre a mesa


É o que pede meu coração.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010



O Outono do nosso descontentamento aí está. Aparece embelezado pela cor das folhas como se um pintor pacientemente as retocasse, mas o sol anda meio envergonhado e não aparece igual para todos os portugueses. A tristeza invade os corações, os olhares são distantes e a crise, essa maldita, não os larga. Não sei o que esperam de tantas cabeças pensantes. Aí não há crise. Abundam os comentários, as criticas, as análises, as entrevistas, enfim um mar de abundância. Mas os portugueses já não lêem, já não ouvem, só murmuram. Esta Raça não merecia ser tão castigada. Ao menos este Sol de Outono podia aquecer a alma dos que mais sofrem, para esbater a revolta que trazem na alma.

domingo, 19 de setembro de 2010

Está a terminar o Verão. Já não escrevia desde a Primavera. Mudou muito este país ? Só o clima, agora o tempo está mais quente. A crise ? A crise já existia em Março, já existiu em vários séculos e continuará o seu caminho até ao infinito. Uma boa oportunidade para os anafados combaterem as suas gorduras. Com crise ficam mais secos. Mas da crise sabem os políticos. É vê-los a debitar uma linguagem das tretas, cheia de adornos mas pouco iluminada. Os "senhorões" da politica combatem a crise gerando crises, de emprego, de dividas, de doenças, de abandonos. Restam os militares que precisam da pátria para sobreviver. Até o futebol, menina dos olhos de ouro dos portugueses está em crise, sim porque o Benfica representa a crise do futebol. Foi das crises que se fez história, movimentou povos, desenvolveu novos impérios. O que pensarão estes dez milhões? Valerá a pena insistir na crise ou negociar com uma dessas imobiliárias o nosso futuro?

segunda-feira, 1 de março de 2010

Um temporal em Alvalade
É inacreditável como o Porto abordou o jogo de hoje. Apáticos, desconcentrados, sem rigor táctico. Estava em causa a defesa do título numa altura que só a vitória nos poderia manter na corrida ao título. Onde estava o Porto? Alguém o viu? Onde está a regularidade da equipa? Segundo o treinador foi um jogo menos conseguido, mas convenhamos que foi fatal para as nossas aspirações. A equipa oscilou muito esta época entre o bom e o mau. Todos recordamos os jogos com o Belenenses, o Paços de Ferreira em casa e o jogo no Funchal com o Marítimo. Todos se lembram de jogos onde não estivemos à altura do nosso estatuto como foram os jogos em Braga e na Luz. O que resta? Boas exibições contra o Atlético de Madrid, o Guimarães e o Nacional fora, e contra o Sporting (na Taça) e o Braga em casa. É pouco para uma equipa candidata ao título. Estão cansados de ganhar? Não pode ser porque há muitos jogadores novos na equipa. O treinador não teve tempo para moldar a equipa? Então e os treinadores do Benfica e do Braga tiveram? Mais grave ainda é que corremos o risco de não participar na Champion League. Tudo tem de ser repensado. Quatro anos de vitórias não podem ser indiferentes. Se outros nos ultrapassaram temos de saber as causas para podermos ser melhores no imediato. Este clube não sabe viver sem vitórias. Os responsáveis que se assumam e se for preciso rolar cabeças que assim seja. Viva o Futebol Clube do Porto.



José Carvalho Ventura
Sócio nº 549