quinta-feira, 20 de abril de 2017



UMA CRATERA NO CENTRO DO PORTO

Começou em 1950 uma obra grandiosa para abertura da "avenida da ponte" que na realidade se chama Avenida D. Afonso Henriques. Demoliu-se o casario do Bairro do Corpo da Guarda e tudo foi arrasado na zona para dar lugar à referida via, aberta em 1954. Já lá vão portanto 62 anos. Mas quem observa uma foto de então, constará que pouco ou quase nada mudou até hoje. Desde essa altura, muitos presidentes passaram pela Câmara do Porto. Alguns projetos foram anunciados, mas não passaram disso mesmo.

Estamos numa fase de grande transformação do Centro Histórico ao nível de reabilitação urbana, mas sobre a Avenida D. Afonso Henriques há um total silêncio. A cidade do Porto não merece esta ferida crónica no centro onde praticamente nasceu. Quem nos visita sentirá facilmente uma descontinuidade urbanística, que mais parece uma cratera em pleno centro da cidade.

(Publicado no espaço do leitor do JN em 23 de Novembro de 2016).


terça-feira, 6 de setembro de 2016

E tu Jimmy!


Chegou a hora! Foi no passado dia 20. Deste-nos tudo que um verdadeiro amigo pode dar. Onze anos cheios de vida, Entraste na nossa casa num dia de Junho. Excitado, escorregavas no mais pequeno obstáculo, cheirando tudo que identificava a tua nova morada. Fomos à escola para aprendermos a conviver. Com a tua irreverência, não foi fácil. Recorda-nos uma fuga tua em plena Alameda Eça de Queiroz, em direcção à Praça Velásquez que te custou uns pontos numa pata. Caminhamos longas horas, tu pensando nos teus amores e nos teus inimigos de estimação, nós pensando na vida. Para ti não havia tristeza quando abríamos a porta de casa. A tua lógica era surpreendente. Não usavas relógio, nem telemóvel mas sabias a que horas tínhamos de assumir os nossos compromissos contigo. E quando nos atrasávamos, ficavas vigilante e atento aos nossos movimentos. Tu próprio tomavas a iniciativa de ir buscar a trela para lembrar que estava na hora do passeio

Irradiavas felicidade com a casa da aldeia, o teu lugar favorito. Deliciavas-te com a relva fresca e verdejante. Caminhavas sem destino na busca dos teus prazeres, mas sempre regressavas . Apenas falhaste num tempo de Inverno quando um nevão invadiu a aldeia. Tu e o teu amigo Nino, que também já partiu, perderam-se na busca de uma companheira,. Trilhamos vários caminhos para vos encontrar, mas em vão. Qual nosso espanto quando depois de mais uma tentativa, demos contigo a aguardar pela nossa chegada na varanda da casa, ao fim de três dias, enlameado, cansado e esfomeado mas com um olhar reprovador da nossa ausência.
Sempre percebeste os teus limites e quando nós estávamos zangados contigo. Mas não vacilavas, o teu olhar determinado fazia de nós uns aprendizes da serenidade. Nas horas de tristeza, sempre encontraste um brinquedo para nos entreter. Cinco minutos da nossa ausência, era para ti uma eternidade. Assim o expressava o teu rabo!
Não discriminavas ninguém. Quem entrasse em nossa casa era teu amigo. Zelavas pelo teu amigo Snappy como se ele fosse igual a ti e afinal era um gato. Quando lhe roubavas a comida, não conseguia disfarçar o teu olhar culpado!
Eras paciente nas doenças e foram várias, mas sempre foste forte e aceitavas o que aí vinha, confiavas em nós. A doença agora foi mais forte mas lutaste até ao fim. Nem no final deixaste de ser um lutador. Caíste de pé! É um vazio que se abre em nós. Doloroso! Difícil! Os teus donos vão sentir penosamente a tua ausência, mas irão certamente recordar, com encanto, esta bela lição que a natureza nos proporcionou. Podes crer, seremos mais tolerantes com o mundo que nos mostraste, mais exigentes com o que vale a amizade, mais firmes na defesa dos vossos direitos.

Saudade e tristeza são os sentimentos que agora nos dominam. Adeus companheiro, até sempre!


quinta-feira, 2 de julho de 2015

O Outono do Patriarca



"...quando eu morrer, hão-de voltar os políticos para repartir esta merda como no tempo dos godos, vocês vão ver, dizia, hão-de voltar a repartir tudo entre os padres, os gringos, e os ricos, e nada para os pobres, claro, porque esses hão-de estar sempre tão fodidos que no dia em que a merda tiver algum valor os pobres hão-de nascer sem cu, vocês vão ver, dizia,..."

Do livro "o Outono do Patriarca"

domingo, 15 de março de 2015


Um segundo olhar sobre o Porto (sem ) sentido. A reabilitação urbana tem-se feito sentir no centro histórico, mas os focos de degradação são ainda muitos. Uma cidade que aposta forte na recuperação dos seus habitantes e no turismo tem de imprimir uma dinâmica de desenvolvimento que defenda de uma forma inequívoca o seu património.  

terça-feira, 13 de agosto de 2013


Aproximam-se as eleições autárquicas. Como em muitas cidades há problemas no Porto, particularmente na cidade medieval e oitocentista. Mais do que promessas vãs, importa inventariar os problemas que mais afligem a sua população ou a falta dela. A cidade tem de ser acolhedora e atraente para os que nela vivem e para os que a visitam. Tem de ser uma cidade harmoniosa onde todos possam desfrutar em pé de igualdade o que ela tem para nos oferecer. Este vídeo é o meu pequeno contributo para uma cidade com mais qualidade e maior felicidade dos seus habitantes.

domingo, 30 de junho de 2013

Este é um passeio que realizei com o Dr. Hélder Pacheco caminhando pela margem sul do Douro, desde a Afurada até à Ribeira, olhando o Porto como se de uma cascata se tratasse. Dia inesquecível para os olhos e a alma.

2 de Março no Porto

 
Acordem portugueses, que ninguém faz a nossa parte. Aproximam-se dias importantes em Setembro e Outubro. Não podemos que alguns decidam por um todo.